20.7.26

A discussão da escala 5x2 precisa chegar aos terapeutas

O
cotidiano do terapeuta profissional é marcado por uma rotina intensa que envolve atendimentos clínicos, planejamento, registros de sessões e constante atualização profissional. Se é verdade que seu trabalho está associado à escuta e ao cuidado, na prática ele também está inserido em um contexto que exige produtividade, organização do tempo e manejo de múltiplas demandas. Ao longo do dia, o terapeuta precisa lidar com diferentes casos clínicos, cada um com histórias, demandas e processos específicos, o que pode gerar uma rotina marcada por diversas tarefas alternadas (da escuta clínica à análise de dados, passando por emissão de notas fiscais e planejamento de conteúdos do Instagram).

A relação terapêutica é como elemento central do trabalho, pois é na interação entre o profissional e o cliente que surgem evidências para a compreensão das dificuldades apresentadas. Dentre todas as coisas que devem ser cuidadas por um terapeuta, o vínculo com o seu cliente talvez seja a mais relevante. Ainda assim, manter uma escuta atenta e sensível pode se tornar um desafio quando o cotidiano profissional é atravessado por pressões relacionadas à produtividade e à organização da agenda.

O cenário contemporâneo do trabalho tem evidenciado um aumento significativo de problemas relacionados ao esgotamento profissional (leia-se Burnout). Dados recentes indicam que cerca de 30% dos trabalhadores brasileiros apresentam sinais consistentes de burnout, evidenciando a magnitude do problema no país, que ocupa uma das primeiras posições no ranking mundial de casos.

No caso da prática clínica, esse cenário de aceleração e de multitarefas também pode impactar a saúde e, consequentemente, o acompanhamento de casos. Some-se a isso a carga emocional. Vocês sabem melhor do que eu: lidar com demandas emocionais intensas e agendas sobrecarregadas é um trabalho que exige muito dos terapeutas.

E, como se não bastasse, outro fator que tem contribuído para esse quadro é o uso intensivo de tecnologias digitais no trabalho. Atendimentos online, comunicação constante por aplicativos e a necessidade de registrar informações em plataformas digitais podem ampliar o tempo de exposição às telas e reforçar a sensação de disponibilidade permanente. Esse fenômeno, muitas vezes chamado de “cansaço de tela”, tem sido associado ao aumento da fadiga mental e à dificuldade de estabelecer limites entre vida pessoal e trabalho.

Analistas do comportamento sabem descrever bem as condições em que o cuidado com a saúde mental é produzido. E também as condições nas quais que o estresse acaba toma conta, não é verdade?

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